As outras faces da Nicarágua
O atual território da Nicarágua tinha várias línguas (Nahuatl, Chorotega, Nahoa) e vários tipos de população e crenças religiosas até a chegada dos espanhóis. Desde então produziu-se, como em toda a América Latina, um forte processo de evangelização, transculturação e imigração que foi altamente diferenciado entre a costa do Pacífico, de influência mais espanhola, e a costa do Atlântico, com influências caribenhas. Ainda podemos encontrar duas Nicaráguas diferenciadas no cultural e no social. Esta mostra se limita a algumas expressões de máscaras da área do Pacífico, com um particular sincretismo cultural de raiz cristã.
As manifestações de danças com máscaras mostram uma presença de festas gestadas na evangelização e na resistência, com originais expressões teatrais como o Baile del Gueguense ou del Macho Ratón, reconhecido como a primeira peça de teatro colonial de resistência, assim como outras, como a Danza del Gigante e a Danza de los Mantudos.
Outra linha de expressões, de forte impulso da sociedade dos doutores do século XIX, por exemplo a Danza de los Diablitos ou a Danza del Viejo y la Vieja, expressa tanto o popular quanto o elitista nos temas e, ao mesmo tempo, o desenfreio liberal. Elas se manifestam fundamentalmente em festas religiosas como a de São Sebastião.
Encontramos também uma expressão das culturas imigrantes nas Danzas Gitanas ou Húngaras, conhecidas também como o baile das ”Aparecidas” por seu caráter misterioso de aparecer de repente nas festas populares, e por não se saber bem como chegaram à Nicarágua. Esta presença da cultura dos ciganos esteve extinta e foi recuperada nas últimas décadas. Finalmente, encontramos uma destacada manifestação, a Procissão dos Agüizotes, vista como expressão do nahualismo e dos mitos e tradições populares. Esta tradição é encontrada em vários países centro-americanos e com força também na Costa Rica.
Em 1880, Rubén Dario descreveu esta festa em seu poema “El Gueguense” e mostra os agüizotes como personagens fantasmagóricos que percorrem as ruas de Masaya assustando os espectadores.
No século XX, a festa dos agüizotes ganhou popularidade e em 1916 foi declarada patrimônio cultural da Nicarágua.
