Jeike à Mata Nativa
Jeike à Mata Nativa, exposição individual da artista visual uruguaia Carmela Piñón, propõe uma imersão pictórica em um dos ecossistemas mais significativos e, ao mesmo tempo, menos visíveis do território uruguaio: a mata nativa.
Com curadoria de Catalina Bunge, a mostra reúne uma série de obras recentes nas quais a mata deixa de aparecer como paisagem de fundo para se converter em presença viva, envolvente e protagonista. Por meio de luzes, texturas, camadas vegetais e atmosferas densas, Piñón constrói uma experiência visual que convida a adentrar o território, não só a partir da contemplação estética, mas também de uma consciência sensível sobre sua fragilidade e necessidade de preservação.
A palavra jeike, de origem guarani, pode ser entendida como “adentrar-se” ou “entrar”. Nesse sentido, a exposição propõe atravessar um umbral: ingressar na mata como espaço físico, simbólico e afetivo. Não se trata apenas de olhar a natureza de fora, mas de reconhecê-la como trama de vínculos, memória e vida compartilhada.
Nas obras de Carmela Piñón, a vegetação se expande, envolve e transborda. A mata aparece como organismo, como refúgio, como território de biodiversidade e como imagem de uma relação possível entre cultura e natureza. A partir de um olhar poético e contemporâneo, a artista valoriza a riqueza da mata nativa uruguaia e abre uma reflexão sobre os modos como habitamos, representamos e cuidamos das paisagens que nos sustentam.
A mostra dialoga com preocupações ambientais urgentes, mas o faz a partir de uma linguagem pictórica sensível, íntima e situada. Jeike à Mata Nativa convida a deter o olhar, a ingressar em uma temporalidade mais lenta e a repensar o vínculo entre arte, território e preservação.
A partir do MAPI, esta exposição amplia o diálogo entre patrimônio, natureza e produção artística contemporânea, propondo uma experiência que vincula memória, ecossistema e sensibilidade visual.
