Sala de exposições 2
Máscaras de animais nas danças de tradição maia
As máscaras de animais fazem parte de uma antiga tradição dos povos maias e ocupam um lugar de destaque em numerosas danças cerimoniais e festivas. Suas formas representam espécies presentes na cosmovisão indígena, onde os animais não são apenas protagonistas de mitos e relatos tradicionais, mas também seres dotados de um profundo significado espiritual. Em muitas comunidades maias, essas crenças se relacionam com a figura do nahual, um vínculo espiritual entre as pessoas, os animais e as forças da natureza.
Ao longo do tempo, essas máscaras continuaram a ser utilizadas em distintas danças tradicionais, incorporando novos significados sem perder seu profundo enraizamento cultural. Entre elas encontram-se a Dança do Veado, o Tocontín, o Topocomad, o Baile dos Huehuetecos, o Baile da Conquista, os Toritos e muitas outras expressões que mantêm viva uma tradição transmitida de geração em geração.
Esculpidas inteiramente em madeira, essas máscaras refletem a continuidade das tradições maias e a vigência de um patrimônio cultural que continua a se transformar e a se renovar até a atualidade.
Máscara de animal
Madeira (Esculpida – Pintada)
Guatemala, Século XX
Col. Claudio Rama
Máscara de animal
Madeira (Esculpida – Pintada)
Guatemala, Século XX
Col. Claudio Rama
Máscara de Jaguar
Madeira (Esculpida – Pintada)
Guatemala, Século XX
Col. Claudio Rama
Máscara de Jaguar ou Tigre
Madeira (Esculpida – Pintada)
Guatemala, Século XX
Col. Claudio Rama
Máscara de Tigre
Madeira (Esculpida – Pintada)
Guatemala, Século XX
Col. Claudio Rama
Máscara de Coiote
Madeira (Esculpida – Pintada)
Guatemala, Século XX
Cultura Pogomchi
Col. Claudio Rama
Máscara de animal
Madeira (Esculpida – Pintada)
Guatemala, Século XX
Col. Claudio Rama
Dança do Veado
A Dança do Veado (Xajoj Kej, em idioma poqomchi’) é uma das expressões rituais mais importantes do povo maia poqomchi’ da Guatemala. Representa o antigo ritual da caça e expressa a relação de respeito, reciprocidade e equilíbrio entre os seres humanos e a natureza. Através da dança, agradece-se e pede-se pelo alimento, reconhecendo o veado como um ser fundamental dentro do mundo natural e da vida comunitária.
Durante a representação, participam distintos personagens, entre eles o veado, os caçadores, os cães e outros animais, recriando simbolicamente o antigo ritual da caça. Mais do que uma celebração desta prática, a dança expressa o respeito pelos animais e a importância de manter uma relação harmônica com a natureza. O povo poqomchi’, assentado principalmente nos departamentos de Alta Verapaz, Baja Verapaz e parte de Quiché, mantém vivas numerosas tradições vinculadas à sua cosmovisão. Sua identidade cultural se expressa em sua língua, ainda falada por mais de 90.000 pessoas, assim como em suas práticas agrícolas, sua gastronomia e suas cerimônias.
A Dança do Veado continua a ser representada na atualidade como uma manifestação do patrimônio cultural maia, transmitida de geração em geração. Esta celebração reflete a continuidade de uma tradição ancestral que, longe de permanecer estática, soube transformar-se e manter-se vigente como expressão da identidade e da memória do povo poqomchi’.
Máscara de Cachorro
Madeira (Esculpida – Pintada)
Guatemala, Século XX
Dança do Veado
Col. Claudio Rama
Máscara de Felino
Madeira (Esculpida – Pintada)
Guatemala, Século XX
Dança do Veado
Col. Claudio Rama
Dança dos Micos (ou Dança do Pau Voador)
A Dança dos Micos, também conhecida como Dança do Pau Voador, é uma tradição de raízes pré-hispânicas inspirada em um episódio do Popol Vuh, o livro sagrado dos maias quichés. Segundo este relato, os irmãos Jun Batzy Jun Ch’owen foram transformados em macacos pelos Heróis Gêmeos, Hunahpú e Xbalanqué. Desde então, os macacos ficaram estreitamente ligados à arte, à música e à criatividade, e esses personagens são considerados patronos dos artistas, músicos e escribas na tradição maia.
Atualmente, a dança faz parte das festividades dedicadas a Santo Antônio na localidade de San Antonio Senahú, de onde se difundiu para outras regiões da Guatemala. Durante a representação, um dançarino caracterizado como macaco desce de um alto pau mediante cordas, realizando acrobacias ao ritmo da marimba e da flauta.
Ao mesmo tempo, constitui uma expressão viva do patrimônio cultural maia, que perdurou e se transformou ao longo do tempo sem perder seu profundo significado para as comunidades que a mantêm viva.
Máscara de Macaco
Madeira (Esculpida – Pintada)
Guatemala, Alto Verapaz, Século XX
Col. Claudio Rama
Boneco
Madeira (Esculpida – Pintada)
Guatemala, Século XX
Col. Claudio Rama
Máscara do Padrão
Na região de Nahualá, Guatemala, é representada a Danza de Pátzcar, considerada uma das tradições mais antigas do país. Nela participam diversos personagens mascarados que, através da dança e da representação teatral, transmitem ensinamentos sobre a vida em comunidade e os valores sociais.
Entre os protagonistas encontram-se o Padrão e a Padrão, personagens que representam os antigos proprietários de terras ou figuras de autoridade de origem europeia. Suas máscaras distinguem-se por seus traços formais e por refletir a imagem dos setores de poder durante o período colonial, estabelecendo um marcado contraste com os personagens indígenas da representação.
As máscaras do Padrão costumam ser esculpidas em madeira e pintadas à mão. Um traço característico deste tipo de peças é a representação das sobrancelhas através de pintura, em vez de esculpi-las em relevo, detalhe que permite distingui-las de outras máscaras utilizadas nas danças tradicionais da Guatemala.
Máscara de Patrão
Madeira (Esculpida – Pintada)
Guatemala, Século XX
Col. Claudio Rama
Máscara de Patrão
Madeira (Esculpida – Pintada)
Guatemala, Século XX
Col. Claudio Rama
Máscara de Tecún Umán
Tecún Umán é considerado o herói nacional da Guatemala e um símbolo da resistência dos povos maias frente à conquista espanhola. Segundo a tradição, morreu em combate enfrentando Pedro de Alvarado durante a conquista do reino k’iche’.
Uma das lendas mais difundidas conta que, ao cair Tecún Umán, um quetzal desceu e pousou sobre seu corpo, tingindo de vermelho as penas de seu peito com o sangue do guerreiro. Desde então, o quetzal se tornou um símbolo de liberdade e identidade para a Guatemala.
A figura de Tecún Umán continua presente em numerosas danças tradicionais, onde representa o valor, a resistência e a memória histórica do povo maia.
Máscara de Huitzitzil Tzunun
Madeira (Esculpida – Pintada)
Quiché, Século XX
Segundo comandante do Chefe Maya Tecun Uman
Col. Claudio Rama
Máscara
Madeira (Esculpida – Pintada – vidro)
Guatemala, Século XX
Col. Claudio Rama
Máscara de Maximón
Maximón, também conhecido como Rilaj Mam, é uma das figuras mais importantes da religiosidade popular da Guatemala. Venerado por distintas comunidades maias, reúne elementos das crenças pré-hispânicas e da tradição cristã, tornando-se um exemplo do sincretismo religioso que caracteriza muitas celebrações do país.
Sua imagem costuma ser representada como um homem de idade avançada, vestido com chapéu, lenços coloridos e numerosos acessórios. Em Santiago Atitlán, uma das localidades onde seu culto tem maior enraizamento, a efígie de Maximón permanece a cada ano na casa de uma família diferente, que assume a responsabilidade de custodiá-la e receber os peregrinos. Durante a Semana Santa participa das principais cerimônias religiosas e, no resto do ano, continua sendo objeto de devoção.
Em torno de Maximón existem numerosas histórias e tradições. Para algumas comunidades é um antigo líder maia convertido em protetor de seu povo; para outras, identifica-se com Rilaj Mam, um ancião sábio e poderoso, ou com um personagem conhecido como Don Ximón. Essas diversas interpretações refletem a riqueza e a complexidade de uma figura que representa, ao mesmo tempo, a proteção, a justiça, a fertilidade e a dualidade entre o bem e o mal. A máscara de Maximón expressa a vigência de uma tradição que continua ocupando um lugar central na vida espiritual e cultural de numerosas comunidades guatemaltecas.
Máscara de Maximón
Madeira (Esculpida – Pintada)
Santiago de Atitlán, Século XX
Col. Claudio Rama
Máscara de Maximón
Madeira (Esculpida – Pintada)
Santiago de Atitlán, Século XX
Col. Claudio Rama
