Prazeres Originários: Sexualidade, Identidade e Gênero em Sociedades Indígenas
A mostra “Prazeres originários: Sexualidade, identidade e gênero em sociedades indígenas” reúne peças arqueológicas pré-colombianas -cerâmica erótica Moche-, relatos e ilustrações dos conquistadores europeus -em um vídeo especialmente produzido para a exposição, com o relato nas vozes de Dani Umpi e Mónica Navarro-, as fotografias etnográficas “Muxes: en las fiestas de San Vicente”, de Florentino Fuentes, os documentários “Las intrépidas buscadoras de peligro”, de Bernardo Loyola, e “Las intrépidas de Juchitán”, de Alejandra Islas, e estudos etno-históricos existentes sobre a temática.
A mostra tem como objetivo nos aproximar dos grupos americanos passados e presentes por meio de aspectos particulares relativos ao corpo, à sexualidade, à diversidade sexual e de gênero e sua relação com a identidade. O corpo e as práticas associadas a ele são expressões culturais e, como tais, elementos válidos para nos aproximarmos da forma de vida de qualquer sociedade. Constituem o cenário em que os indivíduos, em grupos, comunidades ou sociedades, estão inseridos.
Por meio de manifestações associadas ao corpo, podemos chegar a compreender como distintas sociedades indígenas, passadas e presentes, se relacionam com ele e como articulam, a partir dele, suas práticas, marcas identitárias, relações de poder, econômicas, políticas e sociais, expressões artísticas e crenças religiosas, entre outros elementos. Compreender essas realidades sociais -onde papéis e comportamentos atribuídos e esperados de acordo com o gênero como construção social transcendem o determinismo biológico inerente ao sexo- implica tentar desmontar categorias ocidentais para possibilitar uma abertura conceitual em torno do tema, que torne possível uma maior compreensão de realidades distantes das que estruturam as organizações sociais predominantes.
A exposição propõe um olhar no tempo através de diferentes contextos socioculturais, abrangendo expressões culturais do período pré-colombiano, da época colonial e de contextos étnicos minoritários contemporâneos, a partir da diversidade de ordens sociossexuais e sistemas sexo/gênero nos grupos indígenas que se desenvolveram em nosso continente.
A inauguração contará com a participação dos artistas Dani Umpi e Mónica Navarro.
No âmbito da exposição, Amaranta Gómez Regalado, líder e ativista da comunidade Muxe, visitará o MAPI -com o patrocínio da Embaixada do México em Montevidéu- para ministrar uma conferência sobre sua cultura.
O termo muxe (‘mushe’) é usado nas populações zapotecas do Istmo de Tehuantepec (México) para descrever pessoas transgênero, que assumem papéis femininos na comunidade. Desde antes da chegada dos espanhóis, os muxes eram considerados parte de um terceiro sexo, com um espaço e um papel social bem definidos.
