Inaugura-se em São Petersburgo exposição itinerante

Inaugura-se a exposição "Uruguai em guarani. Presença indígena missioneira"

A exposição internacional itinerante “Uruguai em guarani. Presença indígena missioneira” será inaugurada em 3 de fevereiro no Museu Russo de Etnografia de São Petersburgo, como parte de uma extensa turnê que começou em 2014 nos Museus Vaticanos e continuou por museus de Hamburgo, Valência e Alicante.

A exposição, produzida pelo MAPI, vinculado ao Departamento de Cultura da Intendência de Montevidéu, em associação com o Instituto Nacional de la Carne (INAC) -como parte da aliança estratégica entre ambas as instituições- e com o apoio do Ministério das Relações Exteriores, reúne objetos arqueológicos provenientes de museus, instituições e coleções privadas de diferentes pontos do país e tem o propósito de revelar a pouco conhecida herança guarani no Uruguai e o pertencimento do que hoje é seu território ao sistema de Missões Jesuíticas.

Na exposição, que já foi visitada na Europa por mais de 600.000 pessoas, são exibidas imagens religiosas talhadas em madeira dos séculos XVII e XVIII, como também objetos arqueológicos do século XIX, encontrados no sítio de San Borja de Yi, tudo isso fruto da pesquisa coordenada pela arqueóloga Carmen Curbelo, da Faculdade de Humanidades da Universidade da República, durante mais de 20 anos e da qual participaram numerosos pesquisadores e estudantes de arqueologia. O comissariado da exposição está a cargo do diretor do MAPI, Facundo de Almeida, e a curadoria foi realizada por Luis Bergatta.

O roteiro museográfico reflete a principal herança indígena no Uruguai, ou seja, o legado da presença guarani no atual território do país, não somente por meio de materiais históricos e arqueológicos, mas também de expressões culturais imateriais sumamente representativas da imagem do país: a toponímia, a denominação Uruguai é de origem guarani; o consumo da principal bebida do país: o mate; o início do desenvolvimento da produção pecuária: as estâncias jesuíticas foram seu principal antecedente, entre outros elementos identitários.

Este último tema apresenta-se em um contínuo histórico que reflete desde o vínculo dos grupos indígenas com o produto cárneo e a incipiente produção pecuária nas estâncias da Companhia de Jesus até o contemporâneo sistema de rastreabilidade, abordando questões como produção, inovação, gostos, representações culturais e patrimônio no Uruguai. Este último aspecto, representado pela Paisagem Industrial Fray Bentos, mais conhecida como ex-Frigorífico Anglo, e que foi declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, como expressão material da importância cultural que a produção pecuária teve e tem no país.

A exposição conta com o apoio do Ministério do Turismo, do Ministério da Educação e Cultura, da Faculdade de Humanidades e Ciências da Educação, da Universidade da República, da Intendência de Montevidéu, da Intendência de Florida, do Banco de Seguros del Estado, do Centro Universitário Tacuarembó, da Hamburg Süd, da Embaixada do Uruguai ante a Federação da Rússia e com a colaboração da Embaixada da Federação da Rússia no Uruguai e do Dr. Joan Gregori, responsável pelo Patrimônio da Diputación de Valencia.

O Museu Etnográfico da cidade de São Petersburgo, onde será apresentada a mostra, é o maior de seu gênero no mundo; em seu interior podem-se descobrir objetos, ferramentas, reproduções de hábitats ou trajes tradicionais. No total, dispõe de uma coleção formada pelos 150 grupos culturais que habitavam o antigo Império Russo.

A cooperação do MAPI com este museu começou em 2014, o que permitiu apresentar, dois anos mais tarde, em Montevidéu, a exposição “SIBERIA”, na qual foram exibidos objetos etnográficos de grupos dessa região, vinculados à temática do xamanismo.