EXPOSICIÓN TEMPORAL

NINGYŌ: Arte e beleza das bonecas japonesas

Uma exposição itinerante da Fundação Japão

O MAPI apresenta “NINGYŌ: Arte e beleza das bonecas japonesas”, uma exposição itinerante da Fundação Japão que propõe um percurso pela extensa e diversa cultura das bonecas no Japão.

A palavra japonesa ningyō significa literalmente “forma humana”. Por meio de 67 peças cuidadosamente selecionadas, a exposição permite conhecer a evolução dessas figuras desde suas antigas origens rituais até suas expressões artísticas, populares e contemporâneas.

Longe de se limitar ao âmbito do brinquedo ou da decoração, as bonecas japonesas estiveram historicamente vinculadas às crenças, às celebrações familiares, à proteção da infância, às artes cênicas, à moda, à vida cotidiana e aos ideais estéticos de distintas épocas.

A exposição se organiza em quatro grandes seções: “Ningyō para rezar pelo crescimento das crianças”, “As ningyō como arte”, “As ningyō como arte popular” e “Difusão da cultura do ningyō”.

Ningyō para rezar pelo crescimento das crianças

A primeira seção apresenta as origens rituais das bonecas japonesas. Desde a antiguidade foram elaboradas figuras humanas simbólicas destinadas a afastar a má sorte, absorver as impurezas ou proteger as pessoas. Entre elas estão as katashiro, simples figuras de papel que ainda são utilizadas em cerimônias de purificação dos santuários xintoístas, e as amagatsu e hōkō, usadas para proteger os recém-nascidos.

A exposição também aborda celebrações como o Hina Matsuri, realizado a cada 3 de março para desejar felicidade e bem-estar às meninas, e o Tango no Sekku, celebrado em 5 de maio para pedir pelo crescimento saudável dos meninos. Bonecas de heróis lendários, guerreiros, imperadores e personagens protetores fazem parte dessas tradições transmitidas entre gerações.

As ningyō como arte

A partir do século XVII, o aperfeiçoamento das técnicas de fabricação fez com que as bonecas começassem a ser valorizadas também como objetos artísticos. Esta seção permite apreciar a delicadeza de estilos como as Gosho Ningyō, inspiradas em bebês saudáveis e vinculadas à corte imperial; as luxuosas Saga Ningyō, decoradas com folha de ouro e pintura; as estilizadas Nara Ningyō, talhadas em madeira; e as Ishō Ningyō, vestidas com trajes confeccionados segundo os mesmos procedimentos empregados na indumentária tradicional japonesa. A talha, a pintura, os tecidos, os bordados e os pequenos acessórios revelam o trabalho coletivo de numerosos artesãos especializados e uma busca de precisão que transforma cada peça em uma obra de extraordinária complexidade.

As ningyō como arte popular

A cultura das bonecas também se desenvolveu entre as comunidades e os setores populares de distintas regiões do Japão. Elaboradas com materiais acessíveis como argila, papel ou madeira, essas peças refletem os costumes, os ofícios, os relatos e as características particulares de cada território. A mostra inclui, entre outras, as reconhecíveis Kokeshi, as bonecas de papel Miharu, os Daruma associados à perseverança e à boa fortuna, e diversos tipos de bonecas de argila produzidas em diferentes localidades japonesas. Suas formas, cores e materiais oferecem um testemunho da criatividade popular e da estreita relação entre as bonecas, a vida cotidiana e as identidades regionais.

Difusão da cultura do ningyō

A última seção mostra como as técnicas tradicionais de fabricação se expandiram para as artes cênicas, os brinquedos modernos e a cultura visual contemporânea. Aqui aparecem as grandes marionetes utilizadas no teatro tradicional Jōruri, as raquetes decoradas oshie hagoita, as bonecas articuladas Ichimatsu, obras de artistas contemporâneos e brinquedos como a Licca-chan, uma das bonecas mais populares do Japão atual.

O percurso culmina com as figuras de coleção inspiradas em personagens de mangás, animes e videogames, cuja precisão técnica e capacidade de transportar personagens bidimensionais para o espaço tridimensional alcançaram reconhecimento internacional.

“NINGYŌ: Arte e beleza das bonecas japonesas” propõe, assim, uma introdução ampla a uma tradição em permanente transformação. Cada boneca conserva histórias, orações, conhecimentos e afetos, mostrando como um objeto de pequena escala pode conter uma parte significativa da memória cultural de uma sociedade.